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terça-feira, 21 de outubro de 2014

Neste segundo turno de 2014, é necessário tomar partido

Neste momento crítico, no cenário político brasileiro, devemos, mais do que nunca, tomar um partido. Sou filiado ao PSOL, tenho pensamentos que, até agora, são similares ao partido. Meu apoio à candidata Dilma neste segundo turno é um apoio de veto ao candidato Aécio, que para mim, bem como para muitas outras e outros, é um retrocesso nos avanços que tivemos nas áreas dos direitos humanos e sociais nos últimos 12 anos.
Este ódio ao PT, instaurado pelo setor conservador da sociedade brasileira e alimentado pela mídia oportunista e golpista, é sem sentido. Devemos, antes de tudo, fazer uma crítica séria ao governo da presidente Dilma. Essa balela que o PT inventou a corrupção só faz sentido na cabeça de gente mediana. A corrupção é humana e a solução também é humana.
Ora, se a corrupção é humana — e o sistema a alimenta ou vicia o indivíduo no erro e no pensamento de que se pode enriquecer com o dinheiro público—, cabe a nós, sociedade civil organizada, cobrar, participar, pressionar para eliminar o mal que nos atrasa como nação. Da mesma maneira, devemos romper com o ciclo vicioso da corrupção no nosso cotidiano, como por exemplo, comprar votos, receber favores de vereador tal, adulterar produtos, cortar fila, aceitar o troco errado e por aí vai.
Tenho críticas ao governo petista, mas que fique bem claro: faço crítica à esquerda. Os governos Lula e Dilma deveriam romper com o neoliberalismo de vez. Não permitir a política econômica herdada do sociólogo FHC. Deveria chamar o povo para fazer reformas sociais e políticas, ou melhor, uma revolução. Essa é uma das minhas críticas ao governo PT. Reconheço que em 500 anos de opressão colonial e de mentalidade colonizada que foi herdada dos europeus, nenhum outro governo fez avanços sociais tão importantes para o povo pobre brasileiro. Podemos mais, queremos mais e "Nada deve parecer impossível de mudar" (Bertolt Brecht) o governo PT deve se posicionar ao lado do povo e não dos banqueiros e das multinacionais.
Não tenho dúvida de que Aécio é retrocesso. Eu vivi nos anos 90, na minha adolescência, a política de fome de FHC e do PSDB. Sei o que é isso.

O PT no segundo mandato não mudará o Brasil do jeito que se deve: uma reforma social radical. Sei que Dilma não é o governo dos meus sonhos, mas Aécio é o meu pesadelo. Por isso, desde aqui da Colômbia, mesmo não podendo votar esse ano, eu apoio Dilma. E para finalizar, deixo o pensamento de Rosa de Luxemburgo: [Lutamos] “Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres”.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Pensamientos para acciones



El colonizador violentó nuestros pueblos negros e indígenas. Después dejó de herencia una élite que domina e  instaura en su discurso una "libertad" travestida de crueldad "democrática". Para mí, es imposible leer mis objetos de investigación y no comparar sus momentos históricos con lo que vivimos hoy.
Para que quede más visible mi pensamiento, trabajo en el doctorado con dos intelectuales afrodescendientes: Manuel Zapata Olivella y Abdias do Nascimento. Ambos se van a ver influidos por el período de los movimientos por los derechos de la población negra: desde la década de 30 del siglo XX hasta los años 70 con la independencia de los países africanos. Sus escrituras van más allá de la pura estética; son un posicionamiento político.
En este camino, encontramos un personaje de Zapata Olivella en el libro Changó el gran putas, Agne Brown; mujer, negra, estadounidense, que es la representación de tantas mujeres que lucharon por los derechos del pueblo negro. Queremos establecer un breve diálogo.
Ella fue escogida por los Orichas y en la narrativa de Zapata percibimos el tono que resalta el papel femenino en la lucha por los derechos civiles, una vez que el personaje está en el lugar simbólico de los Estados Unidos, en el período del siglo XX en que hay una reivindicación por la visibilidad de la población negra: “Changó, entre todos los ekobios [las negras y negros], te ha escogido a ti: mujer, hija, hermana y amante para que reúnas la rota, perseguida, asesinada familia del muntu [idea de humanidad a partir de la cultura africana, precisamente del pueblo bantú] en la gran caldera de todas las sangres” (Zapata Changó el gran putas 443). El papel del intelectual, en este caso, una mujer, será preponderante para establecer el pensamiento de la libertad universal que los negros también tienen la oportunidad de disfrutar.  El linaje ancestral siempre reiterado en la narrativa reaparece en la figura de Agne, pero como la recurrencia de una memoria olvidada: “Respira el aire libre, aquí estamos alumbrando el comienzo de tu nueva vida olvidada de la carimba que puso la loba blanca sobre tu soul” (Zapata Op. Cit. 443). La relación de la esclavitud, es decir, la relación de la dominación, hizo que el colonizador violentara la identidad del colonizado. En esta relación de dominación se instaura un “intermediario del poder utiliza un lenguaje de pura violencia” (Fanon Los condenados de la tierra 22). El arma del europeo fue la violencia física, psicológica y cultural.
Es por medio de este lenguaje de violencia, del que nos habla Frantz Fanon, que observamos cómo el colonizador hizo tan bien su trabajo de sometimiento que hasta hoy en día la clase dominante, por medio de un discurso travestido de “políticamente correcto”, invisibiliza los sectores sociales dominados y los aleja del espacio de poder.
Como señala Zapata Olivella, la loba blanca, metáfora para el colonizador europeo,  carimbó el alma de los colonizados, pero se olvidó de que la memoria de nosotros no fue aniquilada por completo. Siempre hubo en la historia quien no estuviese de acuerdo con la opresión. En nuestra posición, como intelectuales, renace el mismo sentimiento que hubo en Benkós Biojós, Bolívar, Malcon X, Zumbi de los Palmares, entre tantos otros, de reivindicar nuestra voz, la voz de los subalternos, la libertad y digo la libertad universal del ser humano, sin ninguna opresión, pero reafirmo: n-i-n-g-u-n-a. Es necesario observar y desarticular las armas de silenciamiento que un grupo dominante tiene para quitar los derechos inalienables del pueblo.

No hay duda, como ya decía Bob Marley: descolonicemos nuestras mentes. He aquí nuestro desafío: estar en  la sociedad y tener voz como negros, negras, indígenas, homosexuales, mujeres, pobres, gitanos y tantos otros subalternos. 

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Vamos embora para Bogotá, notícias da deposição do prefeito


Foto do site Bogotá Humana
Ontem dia 09/12/2013, o Procurador da República da Colômbia Alejandro Ordoñez assinou a ordem judicial que depôs o Prefeito Gustavo Petro, além de o tornar inelegível e impedido de ocupar qualquer cargo público por 15 anos. Qual foi o crime do prefeito?  Em 2012, precisamente no mês de dezembro, o alcaide de Bogotá tirou das mãos dos filhos do ex-presidente a contratação do serviço de recolhimento de lixo da cidade capital. Com esse ato, ele programou um serviço estatal, contratando trabalhadores e recicladores de lixo. Ao aplicar o novo plano de limpeza, houve falhas e por alguns dias o lixo tomou conta da cidade, mas a situação foi normalizada.
A partir disso, a oposição conservadora entrou com ação de improbidade administrativa. Quase um ano depois, de maneira arbitrária, o procurador destitui Petro do governo executivo municipal. Diga-se passagem que o Prefeito é de tendência política de esquerda, ex-guerrilheiro do movimento M-19, desmobilizado nos anos 90. Creio  que a elite bogotana não digeriu a ideia de ser governada por um progressista, como eles o chama aqui.
O que é mais curioso é que depois do Presidente Manuel Santos, Gustavo Petro foi o
Foto do site Bogotá Humana
candidato mais votado no país.  O povo escolheu seu representante e um Procurador, cargo nomeado, o depõe. Isso me faz lembrar golpe de Estado, mas, pasmem com esse detalhe, a constituição colombiana permite que um Procurador da República possa destituir um gestor público, sem julgamento da Corte Suprema.
Convenhamos que pode ter havido falhas na administração de Gustavo Petro, mas o que se escuta por aqui é que houve melhorias para a classe popular, de baixos recursos. O prefeito implementou serviços básicos, como água encanada, em bairros periféricos;  retirou da mão de um loby corrupto as licitações de  serviços públicos; reabriu um hospital para atendimento popular, já que a saúde na Colômbia é privatizada. Além disso, tem incentivado e realizado políticas públicas para o seguimento social LGBT. Ora a elite conservadora representada pelo Procurador Ordoñez não suporta essa ideia de um governo para o povo.
O que percebo aqui, lendo os jornais e vendo as manifestações nas redes sociais, é que
Foto do site Bogotá Humana
Colômbia sofreu um golpe na democracia. Logo agora que há uma negociação para desarmamento da guerrilha. Ao que indica, há uma mensagem nebulosa da elite conservadora: “aqui não tem espaço para ex-guerrilheiros”. Querendo ou não, o tiro do Procurador saiu pela culatra, pois com a deposição de Gustavo Petro, a população bogotana tomou a Praça de (Simon) Bolívar, onde fica as sedes dos três poderes, e demonstrou que não se pode, por vontade própria, destituir a democracia  e o poder popular.

O que desejo, como estrangeiro, é que este nobre país encontre o caminho do diálogo, da
Foto do site Bogotá Humana
paz e que extermine as arbitrariedades de uma classe dominante saudosista do período aristocrático colonial.




Denilson Lima Santos

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

A homofobia é a agressão contra a mulher

A homofobia é antes de tudo o desmerecimento da mulher. Por que se agride tanto o homem que quer ser mulher? Essa pergunta não cala e quero tecer uma breve reflexão sobre a homofobia.

Quando vejo esses rapazes que se julgam mais machos que os outros, muito viris e arrogantes a propalar insultos a um homossexual, eu me ponho a pensar sobre o que estes indivíduos representam para a sociedade. Chego a me perguntar se eles têm uma possível doença psicológica ou carência afetiva. Creio que o sujeito que age com violência contra um gay, uma lésbica ou um transexual é uma pessoa carente de amor. Carente de carinho, de afeto. O nosso desafio é amá-los, cuidá-los.

Outra questão é que o homofóbico não entende que quando um homem deseja outro homem, isso é apenas um estado natural do ser humano. Quando um travesti se veste, anda e se comporta como mulher é também uma condição do ser humano. São posturas a serem respeitadas.

Se um homem deseja, por motivos pessoais e naturais, se parecer com aquilo que lhe parece completo e sublime, ou seja, querer ser mulher é porque ter um corpo feminino completa a si mesmo como sujeito. É um processo de construção identitária difícil e desafiador, primeira devido à sociedade é violenta para com ele e segundo porque o indivíduo tem a coragem de enfrentar as adversidades.

Ser mulher é ser inquestionavelmente o melhor aspecto da vida. Dela nascemos, fomos gerados e nos geramos. O feminino é tão nobre que a ideia dele já era entendida por nossos antepassados aqui das Américas, quando nomeava a casa/terra de Pacha Mama. A grande mãe, a que gera o mundo.
A ideia da feminilidade é tão ancestral que nos esquecemos disso. Na história das religiões sabe-se que Javé já foi casado com Lilith e na tradição africana-nagô, Oxalá traz o princípio do masculino e feminino, sendo ao mesmo tempo Obatalá e Ododua, profundo mistério.


Assim, tudo isso me faz pensar sobre a atitude homofóbica. Toda vez que alguém agride, seja verbal ou fisicamente um homossexual, indiretamente ataca a mulher. Desmerecer o aspecto feminino de qualquer indivíduo é desprezar a essência da vida, a mulher. Por isso, nos urge eliminar toda e qualquer violência de gênero. A sociedade necessita respeitar a mulher, o gay, o travesti e o transexual, esse é um de tantos outros princípios para concretizarmos a paz.

domingo, 17 de novembro de 2013

As reações contra o dia da Consciência Negra


Essa semana, em uma rede social, vi esta foto e chamou muito a minha atenção:


 (Desconheço o autor, se caso alguém saiba, informe-me que dou o crédito)


     Não tenho dúvida de que quem elaborou tal texto está repleto de preconceito, desinformação histórica e desconhecimento da luta do Movimento Negro Brasileiro. Mas me pergunto: por que o dia da consciência negra?
Primeiro vamos dar o crédito a Steve Bantu Biko (1946 - 1977) que foi um pensador negro sul-africano e ativista do movimento anti-apartheid na África do Sul, nos anos 60 do século passado. Ele reivindica e conclama os negros a ter consciência de sua origem e situação social para, assim, efetivar uma luta por justiça e igualdade. Obviamente não nos esqueçamos que, antes dele e junto com  ele, houve muitas mulheres e homens que já lutavam por isso nos movimentos sociais e culturais, como, por exemplo,  o Renascimento do Harlem, O Movimento Negritude, a Frente Negra Brasileira, entre tantos outros.
No Brasil, nossa luta tem um símbolo, o poema de Oliveira Silveira:
Encontrei minhas origens
Encontrei minhas origens
em velhos arquivos
                livros
encontrei
em malditos objetos
troncos  e grilhetas
encontrei minhas origens
no leste
no mar em imundos tumbeiros
encontrei
em doces palavras
               cantos
em furiosos tambores
               ritos
encontrei minhas origens
na cor de minha pele
nos lanhos de minha alma
em mim
em minha gente escura
em meus heróis altivos
encontrei
encontrei-as enfim
me encontrei.
Quando o negro ou a negra tomam consciência disso, como aconteceu comigo, começa a ver que todo o tempo foi educado para repudiar qualquer coisa que viesse de África (informo que uso de África porque me soa mais bonito). Não vou relatar aqui minha experiência pessoal, deixarei para outro espaço. O que quero reafirmar é que em homenagem a Zumbi dos Palmares, que morreu em 20 de novembro de 1695, o Movimento Negro Brasileiro propôs esta data como dia de luta, de afirmação indenitária, de reivindicação social, de reparação histórica, pois fomos vítimas de uma maldade sem precedentes no solo brasileiro. Não aceitamos comemorar o 13 de maio como a libertação da escravidão pela princesa Isabel. Tomamos consciência de nossa negritude e lutamos para mudar a situação de injustiça, porque encontramos nossas origens. 
Celebrar o dia da Consciência Negra é refletir o racismo brasileiro velado e dissimulado como na foto acima. É pensar sobre que papel, na sociedade, têm o negro e a negra brasileiros. Como é representado o negro no Brasil de hoje? A negra brasileira está alocada em que situação nas estatísticas sobre a violência contra a mulher? O jovem brasileiro negro ou negra têm oportunidades? Quais são? E o genocídio dos jovens negros no Brasil? E o racismo que lemos e vemos nos jornais? Tudo isso pode e deve ser refletido em casa, na escola, no bar, na praça, nos lugares de culto religiosos, enfim, em toda a sociedade.
Por fim, sem sombra dúvida, creio que foi, no mínimo, infeliz a ideia da pessoa que escreveu tal frase, como vimos na foto exibida acima. Precisamos sim, de consciência negra, de saber sobre nossas origens, de conhecer os ritos de nossos antepassados. Tudo isso é nossa história e nós aqui seguimos reescrevendo-a.
Para todos e todas desejo um 20 de novembro cheio de AXÉ!


17/11/2013

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Petróleo, bombas, manifestações e o que isso tem a ver comigo?

Petróleo, bombas, manifestações e o que isso tem a ver comigo?

Nunca na história do Brasil as manifestações populares tiveram tanta repercussão. Não é de agora que isso acontece no país. Temos dois exemplos históricos: a revolta da vacina em 1914 e a revolta da chibata liderada pelo Almirante Negro João Cândido em 1910. Sem falar nas rebeliões negras e políticas, é claro, de toda nossa trajetória.

Desde junho deste ano, a população brasileira está em evidência na mídia. Essa que, de maneira descaradamente reacionária, chamam de “vândalos” os movimentos sociais. Do ponto de vista filosófico e histórico, os vândalos esperavam a derrocada do império romano para invadi-lo. Dessa ótica é compreensível fazer o vandalismo no Brasil, ou seja, mudar a ordem vigente.

Além disso, hoje, dia 21 de outubro de 2013, vejo daqui, do canto da sala da casa onde moro na Colômbia  ‒ enquanto escrevo uma conferência sobre Solano Trindade e Jorge Artel, poetas negros que usaram sua escrita a favor da luta política e estética dos excluídos, especificamente os negros ‒, vejo pela internet, ao vivo, a luta de petroleiros para salvar o que é do povo brasileiro. O mais risível dessa situação é que o atual governo no PT levantou bandeiras e fez “vandalismo” na época, que não tenho a menor saudade, de FHC e sua “privataria” dos bens da nação brasileira.

Ora, como são repetíveis os fatos históricos, Monteiro Lobato, Graciliano Ramos que já foram perseguidos por defender nossa riqueza, o petróleo, agora são revividos em trabalhadores e trabalhadoras que não querem ser mais vítima dessa selvageria capitalista. Ao contrario dos escritores presos e seus livros apreendidos, a situação com o trabalhador, o estudante e os membros dos movimentos sociais é mais violenta. Eles são presos, recebem bombas, balas de borrachas e são classificados como bandidos para ludibriar a opinião pública. Cuidado, o governo e a mídia são perigosos.


Quem nos salvará? Nós mesmos. Essa roda viva da vida não para e nós seguiremos fazendo nossa história. O detalhe é estar atento e fazer valer nossa voz. Todo apoio aos movimentos sociais. Avante, nenhum passo atrás!

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Bater em professor é bom?

Bater em professor é bom?
Nestes dias, mais do que nunca vimos uma violência desmedida contra a classe de trabalhadores e trabalhadoras da educação. Os educadores e as educadoras do Rio de Janeiro somos nós. Eu, mesmo sendo da Bahia, não estou longe de sofrer pancadas de policiais a mando de governo sem o menor senso de tolerância, pois por aqui professor é tratado como ser sem importância pelos “coronéis”.
Os fatos ocorridos na câmara de vereadores carioca no dia primeiro de outubro de 2013 somente reforçam o que tem acontecido na educação brasileira: a violência velada.  A mídia descaradamente distorce os fatos e tenta colocar a opinião pública contra os professores. Isso é de uma baixeza inominável.
Tenho repulsa por esse sistema que massacra professor, desvaloriza a educação e preza pela manutenção de um ensino falido. Amigos, amigas, educadores e educadoras, não desistamos. Levemos esses fatos para sala de aula. Debatamos, formemos em nossos estudantes uma visão mais crítica de nosso entorno. A nossa tarefa é superar o mal que nos abate. O sistema quer nos deslegitimar.

Realmente, não há outro caminho senão destruir a barreira da ignorância. Temos nas mãos lápis e papel e alguém já disse que é o suficiente para fazer uma revolução. Necessitamos urgentemente mudar essa ordem. Professores do município do Rio de Janeiro, vocês somos nós! Avante sempre!

terça-feira, 23 de julho de 2013

Colômbia me assusta


Começo assim mesmo: Colômbia me assusta e justifico isso. Hoje estava na academia fazendo meus exercícios rotineiros, quando um amigo me questionou sobre a situação da Venezuela. Ele queria de toda maneira justificar que, como ele tinha vivido lá, segundo suas palavras, antes do governo de Hugo Chaves a situação era melhor. O presidente anterior, como era rico, disse o cidadão: “No le hacía falta robar” – me explicava em seu excelente espanhol, esse idioma que cada dia mais me encanta. Mas, segundo o amigo daqui, o irmão de Hugo Chaves, por exemplo, em um ano de governo do consanguíneo, já tinha adquirido três caminhonetes.

Eu ouvia o discurso dele atento e quando ele terminou lhe respondi: acontece na Venezuela a mesma coisa que sucede com os filhos de Álvaro Uribe aqui na Colômbia e os filhos de Lula e Dilma no Brasil. O poder abre portas para uns e fecha para outros, amigo – tentei lhe explicar no melhor espanhol possível, que ainda me trai.

Seguindo a prosa, eu disse ao estimado colombiano que essas coisas não devem ser encaradas como naturais, como normais. A exclusão e pobreza não devem ser vistas como qualidades inerentes da sociedade. Após ouvir isso ele me disse que votaria em mim para um cargo eletivo. Eu lhe respondi prontamente: não quero ser candidato, apenas me dê uma sala de aula e o eu faço a turma pensar. Nós podemos mudar isso, só a revolução popular fará essas transformações.

O amigo me disse que eu era radical. Seguiu falando dos problemas de Venezuela e ainda acrescentou Cuba. Eu para encurtar a conversa lhe pedi que me dissesse a sua  opinião  sobre o conflito agrário de Catatumbo aqui na Colômbia e os despejados de suas terras para construção de hidroelétrica da EPM junto com a empresa Camargo Correa do Brasil. Ele desconversou e saiu de perto de mim.

É por isso que Colômbia me assusta. Alguns de nossos “Hermanos” aqui estão mais preocupados com a situação social de Venezuela e de Cuba e se esquecem de refletir sobre seus problemas. Preferem vituperar o governo alheio a criticar seus mandatários e aliados tiranos e sanguinários. Afirmo que não são todos que pensam assim, ainda há muitos que lutam pela tranformação social desse país cada dia mais sedutor.


Medellín, 23 de julho de 2013.

sábado, 18 de maio de 2013

Sobre exploração ou esse Brasil que precisa acordar


Sobre exploração ou esse Brasil que precisa acordar



Essa semana, na aula do doutorado, o professor, ao fazer uma crítica a um fragmento do  livro de Georges Bataille – “O Erotismo”, afirmou: “O tema desse texto é que o excesso de trabalho prejudica o desempenho sexual do ser humano. O autor escreveu o livro em sua época com este pensamento. Hoje quem afirmaria isso?. Quem atacaria o capitalismo dessa forma?. Ele foi intensamente ideológico”

Essa afirmação me incomodou até porque ainda hoje não há diferença. É perceptível a  exploração do homem pelo homem. Do endeusamento do capital em detrimento da dignidade humana. As estruturas do capital e da burguesia se valem de uma lógica: “A condição essencial da existência e da supremacia da classe burguesa é a acumulação de riquezas nas mãos de particulares, a formação e o crescimento do capital a condição de existência do capital é o trabalho assalariado” (Karl Marx e Frederico Engels, O manifesto comunista, p.27).

A exploração do trabalhador; as horas excessivas de trabalho; ou a falta dele por conta de um sistema brutal que exclui e marginaliza o humano não podem ser reduzidas a uma ideia de que estamos na “pós-modernidade” e não existe mais a luta de classe. Pode-se ver que o trabalho escraviza as pessoas, pois a exploração do trabalhador enriquece o patrão.

Muito oportuno é o filme “Quanto vale ou é por quilo” (em http://www.youtube.com/watch?v=fZhaZdCqrHg). Ao assistir a este filme, você pode refletir sobre um Brasil que no seu histórico está a exploração e apropriação da máquina do Estado para legitimar uma classe dominante. O povo, sobretudo, o negro sempre foi vítima deste sistema, quando não como escravo o é como bucha de canhão para “matar” o seu igual.

Como não pensar nisso? É a realidade que nos cerca. Não é possível estarmos nos gabinetes de estudo, nas bibliotecas enquanto o país se deteriora. É necessário refletir nosso entorno, reorganizá-lo. Pensar que não tem jeito é muito mais cômodo e fácil, pois esse é o discurso a classe dominante introjetou em nós para que suas ações dominantes não sejam questionadas.

Citação:
Marx, K. & Engels, F. O manifesto comunista. Versão www.jahr.org

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Por una nación descolonizada


Por una nación descolonizada

En esta tarde del miércoles 27 de junio 2012. En el momento en que estaba estudiando, de esta vez  me dediqué  a entender Borges y su magnífica ficción; cuando, en un momento de descanso, entré en el sitio del bol (Brasil  on line), para ver mi correo electrónico y una noticia me llamó la atención, decía: Joven  cuenta como  encontró una niña desaparecida en São Paulo. El  joven Alex Ramo de Carvalho había encontrado a una niña que fue secuestrada de su madre en un culto evangélico.

Además de un acto de heroísmo, una cosa me llamó la atención y me conmovió profundamente. El muchacho de 17 años es analfabeta, nos dice con sus palabras "(...)  trabajo en una tienda que vende dulces (bananas, gomas…) éste es mi segundo trabajo. El primero fue como un vendedor ambulante en la calle  25 de marzo (calle comercial en São Paulo). Pero me cansé de correr de los fiscales de la alcaldía cuando recogen la mercancía de los ambulantes sin permiso para venderla"

La historia de ese joven me hizo pensar en un texto que nos arranca desde el suelo y nos golpea en el estómago, el libro de Aimé Césaire, Discurso sobre el colonialismo. A partir de este  libro, hago una reflexión sobre Brasil, éste mi país que  permite que los jóvenes sean analfabetas. Ciertamente, la historia de vida de este muchacho está  llena de  negación de oportunidades. Como ya ha dicho el pensador Césaire: “Una civilización que escoge cerrar los ojos ante sus problemas más cruciales es una civilización herida” (p.13).

Sin duda, Brasil es un país herido, moribundo, incapaz de resolver sus problemas que dificultan su funcionamiento. Digo esto desde el punto de vista social, lo que es más esencial: la vida. De esta manera, los jóvenes que no leen, están condenados a la opresión. Una nación que niega la educación, la salud y el trabajo a sus hijos es una nación en decadencia.

Como resonancia  de una visión colonizadora y explotadora del gobierno y de la élite de Brasil vemos propaganda del  Mundial, Juegos Olímpicos en Río de Janeiro y otros tipos de corrupción en el sector público. El ciudadano que lucha por sobrevivir, piensa como el joven héroe Alex: "A veces pienso en la vida y llega a mi mente todo: mi trabajo, mi madre que se murió, el tema de la alfabetización, maldita sea, tanto problema para una sola persona, estoy jodido"

De hecho, necesitamos un Brasil que rompa las cadenas de la ignorancia.  Un país que no permita que nuestro pueblo sea eclipsado por la senda del analfabetismo. Una persona que no lee está destinada a ser vulnerable y sometida a  la dominación. Más que nunca tenemos que pensar y actuar en contra de eso: la colonización y  explotación de nuestro pueblo por aquellos que están en el poder político y en el poder financiero.


Denilson Lima Santos, Pereira-Risaralda, Colombia

Referencias:

CESERE, Aimé. Discurso sobre el colonialismo. In: http://www.mediafire.com/?jdjj2ymyimm. Acesso em 26 de jul de 2011.

Por uma nação descolonizada


Por uma nação descolonizada

Na tarde dessa quarta-feira dia 27 de junho de 2012. Naquele momento em que estava estudando, dessa vez me dedicava a entender Borges e sua magnífica ficção, quando, num momento de descanso, entrei no sítio da bol, para ver meu e-mail e uma notícia me chamou a atenção: Jovem conta como encontrou menina desaparecida em SP. O jovem Alex Ramos de Carvalho havia encontrado uma garotinha que fora seqüestrada de sua mãe em um culto evangélico.

Para além de ato de heroísmo, uma coisa me chamou a atenção e me comoveu profundamente. O jovem de 17 anos é analfabeto e nos relata com suas palavras “ (...)  trabalho como repositor de estoque numa bomboniere. É meu segundo emprego. O primeiro foi de camelô, na 25 de março. Mas cansei de correr do "rapa" (batidas policiais)”.

Isso me fez pensar em um texto que nos tira do chão e nos dá um soco no estômago, o livro de Aimé Cesaire, Discurso sobre el colonialismo. A partir dessa obra, penso num Brasil que ainda permite jovens serem analfabetos. Certamente a história de vida desse moço é recheada de negação de oportunidades. Como já diz o velho Cesaire: “Uma  civilização que escolhe fechar os olhos ante seus problemas mais cruciais é uma civilização ferida” (p.13).

Sem dúvida, o Brasil é uma nação ferida, moribunda, incapaz de resolver seus problemas que dificultam seu funcionamento. Digo isso do ponto de vista social, daquilo que é essencial: a vida. Jovens que não leem, estão fadados a opressão. Uma nação que nega educação, saúde e trabalho a seus filhos é uma nação decadente.

Como ressonância dessa visão colonizadora e expropriadora que o governo e a elite do Brasil têm, vemos propaganda de copa do mundo, olimpíada do Rio de Janeiro e outras corrupções nos setores públicos. O cidadão que luta para sobreviver, pensa como o jovem herói Alex: “Às vezes, fico pensando na vida, vem tudo, o serviço, minha mãe, esse negócio da alfabetização, caramba, tudo numa pessoa só, foda”

De fato, precisamos como nação brasileira romper as cadeias da ignorância. Não permitir que nosso povo fique na senda ofuscada do analfabetismo. Isso é estar vulnerável e fadado à dominação. Mais do que nunca precisamos refletir e agir contra isso: a colonização e expropriação de nossa gente por aqueles que estão no poder ou detêm o poder financeiro.

Denilson Lima Santos, Pereira-Risaralda, Colombia


Referencias:

CESERE, Aimé. Discurso sobre el colonialismo. In: http://www.mediafire.com/?jdjj2ymyimm. Acesso em 26 de jul de 2011.

Reportagem: Jovem conta como encontrou menina desaparecida em SP. http://noticias.bol.uol.com.br/brasil/2012/06/27/jovem-conta-como-encontrou-menina-desaparecida-em-sp-leia-depoimento.jhtm

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Quem repara violenta: mulheres negras são oprimidas pelo machismo no Ilê Aiyê

Colegas, estou estarrecido com o e-mail que recebi. Segue para leitura e apreciação politizada. Vamos nos unir a essa voz, mulher, negra e trabalhadora. Axé para todos e todas!


Quem repara violenta: mulheres negras são oprimidas pelo machismo no Ilê Aiyê

A ordem arriscada do discurso de Foucault me obriga a começar este desabafo dizendo quem eu sou e qual é o meu lugar de fala. Sou Dayse Sacramento, mulher negra, solteira, heterossexual, graduada em Letras pela Universidade Católica do Salvador, na qual fui militante do movimento estudantil, vice-diretora da rede pública estadual de uma escola em Paripe há dois anos, agora saindo do cargo para estudar, Especialista em Educação e mestranda no programa de Crítica Cultural da Universidade do Estado da Bahia, tendo como sujeitos da pesquisa meninas negras da FUNDAC, filha de Dona Angélica e neta de Dona Mariá da Liberdade. As informações que acabo de citar representam as minhas identidades que estiveram/estão em conflito depois da minha iniciação no bloco Ilê Aiyê, na terça-feira de Carnaval.

Certamente, o currículo da minha vida revela o que representa para mim acompanhar do lado de fora da corda o “mais belo dos belos” ou estar presente na Senzala do Barro Preto para prestigiar as atividades de tão importante instituição de resistência negra no mundo inteiro. Ainda assim, para mim, acompanhar o bloco de fora, mesmo com as resistências que tenho com relação aos blocos de corda eu queria estar lá dentro, vivenciado as canções de um bloco que reverenciam a mulher negra, enaltecem a sua beleza tão diversa, composta por elementos que são fruto do preconceito racial e, principalmente, pela representação política do que estar dentro da corda representa. Ledo engano...

Depois de acompanhar o bloco como pipoca sábado e segunda, na terça, resolvi comprar a minha fantasia para realizar uma vontade que já me acompanha a alguns anos e para acrescentar no meu discurso sobre o bloco o que é estar lá dentro, vivenciado de fato uma experiência de ser incluído (e estar dentro!) do contexto de um bloco afro de Carnaval. Entretanto, fui surpreendida por dois homens no início do percurso, os quais não havia tido o imenso desprazer de encontrar ou conhecer antes como a seguinte exclamação: “Pessoas como você sujam e envergonham o bloco Ilê Aiyê!”. Assustada, perguntei a eles se aquilo fazia parte de alguma brincadeira e o mais enfático, leia-se grosseiro, tosco e mal educado, respondeu: “Ano que vem, a gente vai botar gente como você para fora, sua indecente. Você deveria respeitar o bloco!”. Já aos prantos, me dei conta de que eles se referiam à minha fantasia reformada, apenas a blusa como um tomara-que-caia, com a barriga coberta e a saia continuava intacta, não reformei. Felizmente, eles mexeram com a pessoa certa! Pedi aos gritos, mesmo tom de voz que eles utilizaram comigo, que eles me respeitassem, que não sabiam da minha história e quem eu era e que se gostariam de me recomendar cuidado com o meu traje que isto se desse de forma educada e que fosse feito com todas as outras associadas que haviam feito reformas em suas roupas com o uso de tops, vestidos, minissaias, mistura de tecidos, etc, muitas registradas em fotografias que tirei durante o desfile. Quando eles perceberam que eu os peitei e respondi, um deles, cujo o nome é Fernando Ferreira Andrade Filho, dirigente do bloco, me segurou pelo braço e me encostou no trio em movimento e continuou a me insultar. Quando as minhas amigas viram, partiram para cima dos dois, e agora um outro, também dirigente que não consegui identificar, já segurava o meu braço dizendo: “Olha pra isso, o que é isso!”, apontando para mim, me tratando de forma “coisificada”, com desdém e mesmo com o meu apelo para que soltasse meu braço ele continuou a me humilhar e a me acuar contra o carro. Neste mesmo momento, um dos filhos do presidente do bloco, que sequer acompanhou a ocorrência largou a seguinte pérola: “Na Timbalada, ninguém faz isso!” e eu respondi: “De fato, na Timbalada, ninguém nunca me pegou pelo braço e me acuou contra um carro em movimento, nunca fui violentada lá dentro.”. Ainda não satisfeito, Fernando Ferreira, a saber médico que trabalha no HGE, me disse: “Você comprou sua fantasia nada! Sabe lá como você chegou até aqui!”. Muitos associados e associadas, ao perceberem a confusão afastaram os homens, e se solidarizaram com a situação, tentando me acalmar. Neste momento, muitas mulheres com as fantasias reformadas vieram até mim e disseram que já existe um histórico de agressões feitas por estes senhores, ou seja, já existe um histórico de agressões às mulheres associadas, cordeiras e funcionárias.

No meu caso, quero deixar claro que “o bicho vai pegar”, que não vou recuar e que já comecei a tomar as devidas providências. Com os ânimos a flor da pele, eu e minha amigas resolvemos sair do bloco para fazer alguma coisa. A esta altura, eu já estava morta de vergonha pelos olhares de todas as pessoas de dentro e de fora do bloco para mim depois de vivenciar uma situação tão constrangedora. Preciso ressaltar que uma patrulha de policiais militares nos pararam a caminho da delegacia e ao relatar o fato eles me perguntaram se eu tinha testemunha e se eu queria dar o flagrante. Estes foram os 10 segundos mais longos da minha vida. Eu, militante da causa, admiradora do bloco e das representações que ele sempre teve para mim iria entrar no bloco, acompanhada pela instituição que historicamente reprime/ maltrata/ mata as pessoas da minha cor para retirar de lá dois dirigentes do bloco por agressão física e verbal? Logo me veio também aquilo que só uma mulher que sofreu violência sabe pelo que passei: o medo de represálias. Eu não aceitei a proposta do flagrante e não quero avaliar se ela foi ou não acertada, mas do que estou certa é que fora moralismo e o meu saudosismo político esta situação precisa de amparo, de justiça. Resolvi prestar uma queixa no Observatório do Racismo por conta da natureza do bloco e num posto conjugado da Polícia Militar em São Bento, com algumas pessoas como testemunha. Amanhã, estarei na Delegacia de Atendimento às Mulheres para complementar a ocorrência, vou ao PROCON e a procura de uma advogada ou advogado que sejam militantes da causa racial.
Deparei-me com Vovô do Ilê, então presidente do bloco e tentei reconstituir o meu desespero. Ele então me fez a seguinte pergunta: “Você mostrou a ele a sua carteira?” e me deu as costas e saiu andando, como se eu não existisse. O bloco que incita o empoderamento das mulheres negras nas suas canções precisa concretizar este fato em ações. A instituição deve fazer uma avaliação sobre a sua estrutura e sobre as pessoas que a dirigem, principalmente em respeito à maior liderança que já teve, a Mãe Hilda. É urgente que o Ilê repense o direito e o respeito às candaces quando na sua diretoria a quantidade de mulheres não chega a quantidade dos dedos de uma mão.

O que ficou exposto na conduta dos dirigentes em questão é que além da violência gratuita, a incapacidade de diálogo deu-se por uma questão mercadológica. Certamente, há pessoas que fazem duas fantasias de uma só, mas, no meu caso, estava claro que pelo comprimento da roupa era impossível que eu tivesse dividido a fantasia com outra pessoa. Mesmo que eles suspeitassem desta possibilidade não é com a opressão/ violência física e verbal que isto se resolveria, principalmente se pensarmos nesses homens como agenciadores culturais. Para mim, isto também se agrava quando penso na concepção de beleza negra que o bloco defende e que não permite adaptar a fantasia ao meu corpo, às condições climáticas me desqualificam ao ponto de “sujar” e “envergonhar” o bloco. Não entendo esta visão levando em consideração a uniformização proposta pela moda que sempre nos excluiu. Obviamente, entendo a preocupação do bloco com as formas de adaptação da fantasia, mas nada justifica tal violência que me impuseram e que estará cravada na minha memória por muito tempo.

Escrevo este texto para conclamar um coletivo de mulheres negras, principalmente, além das pessoas as quais confio à militância para que tomemos providências. As ações das políticas afirmativas e das instituições que fazem uso deste discurso devem ir de encontro à consolidação de uma cultura sexista, classista, homofóbica. Estamos tratando da criação, da manutenção e do respeito aos direitos humanos, que violados numa instituição como Ilê Aiyê, exige de cada militante sério uma postura de enfrentamento a toda e qualquer violência. Sou uma pessoa de participação política tornando-me negra. Ser negra é um compromisso. A negritude da minha pele é uma cor política e procuro agir desta forma.

Mais uma vez, é chegada a hora da “lavagem de roupa suja” da militância negra na Bahia para questionar a postura do homem negro que oprime as suas mulheres com um contradiscurso daquilo que dizem acreditar, militar. O homem negro precisa tratar melhor as mães dos seus filhos, as suas companheiras, àquelas que o carregaram no ventre.

Um amigo acaba de me dizer o velho ditado que “pimenta no dos outros é refresco”. Ele me disse isso e me lembrou que eu também sou uma “menina” negra como as meninas da FUNDAC, com a diferença de que eu tenho o aparato acadêmico, cultural, intelectual e da rede de relações que elas não têm. Agora eu sei bem o que vou pesquisar, estou sentindo literalmente na carne.
Espero que fique entendido que o meu respeito pelo Ilê permanece e a minha presença esta garantida para qualquer debate sobre a questão de forma séria e respeitosa. O Ilê Aiyê é muito maior do que todos os seus dirigentes. Cada uma de nós, mulheres negras e homens negros formamos este bloco e a sua história. Nós lutamos para que ele estivesse na rua quando nós negros tínhamos que preencher uma proposta para se tornar associado de blocos brancos, inclusive aquele que tinha um camarote na curva da Castro Alves. As suas ações devem estar voltadas para nós, não contra nós. Estou botando a boca no trombone porque concordo com o que nos disse Luther King que "o que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons.". Eu sou boa gente, por isso não vou deixar de falar e eu falo alto.

Saudações,

Dayse Sacramento
dayse.sacramento@gmail.com


PS: Este texto é um desabafo para quem entende o que é ser negro, esta discussão é nossa. Fora estas pessoas, dispenso comentários despolitizados e sem fundamentos.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Tempos de Lutas!




Decididamente não penso que tudo está acabado. Que tudo está destruído. A vida, se é vida tem  que ser de constante luta.

Às vezes me pego perguntando se o que passa na TV, no jornal é realmente essencial. Há quem diga que estamos vivendo em tempos de manipulação. Acredito. Nesses dias pude perceber isso muito nitidamente. Para mim que estou na Colômbia, que quer saber as notícias da nossa pátria, percebi como a mídia manipula s reportagens a favor da classe dominante.

A greve dos policiais militares da Bahia, a desesperada ação do governador Jaques Wagner desde a última semana de janeiro até hoje, é maquiada pela imprensa e destorcida a seu bel-prazer. As expressões como “rebeldes; invadiram a ALBA” demonstram o teor de (des)informação e manipulação de um discurso que destitui o servidor público de dignidade e do seu direito de fazer greve.

Se houve abuso de algum grevista, atirando pela cidade, amedrontando a população, com certeza isso não expressa a opinião da categoria. Não se pode assim tirar do movimento a legalidade e direito de reivindicar melhores condições de trabalho.

De fato, não é o fim. Acredito que vivemos em um momento em que a população percebeu que tem consciência dos fatos políticos de nosso cotidiano, vide rede sociais. Mais do que ver os fatos e fazer postagens, a população está interagindo com a notícia. Não tenho dúvida que a presença de familiares, amigos e de simpatizantes da causa trabalhista da PM-Ba evitou que o exército,  a mando do Governador Jaques Wagner  (PT),  derramasse sangue de trabalhadores e violasse ainda mais os direitos humanos dos que ali estão.

Pereira, Colômbia 07/02/2012